quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Maxivest I

 88- Em uma das frases, o artigo definido está empregado erradamente. Em qual?

A velha Roma está sendo modernizada.
A "Paraíba" é uma bela fragata.
Não reconheço agora a Lisboa do meu tempo.
O gato escaldado tem medo de água fria.
O Havre é um porto de muito movimento.
Se o nome de cidade estiver modificado, especificado, o uso do artigo é obrigatório. Ex.: A velha Roma; a Lisboa do meu tempo. Paraíba é nome de uma embarcação e não de um estado e Havre, de um porto; com artigo. Gato escaldado, com artigo, especifica, mas a frase é genérica: todos os gatos escaldados têm medo de água fria; sem artigo, portanto. Não se usa o artigo antes de nomes de provérbios, definições e sentenças, com exceção de 'o hábito não faz o monge'




89- O item em que a locução adjetiva não corresponde ao adjetivo dado é:

Hibernal – de inverno
Filatélico – de folhas
Discente – de aluno
Docente – do professor
Onírico – de sonho
Filatélico: referente à filatelia = hábito e gosto de colecionar selos.




90- Na oração "Certos amigos não chegaram a ser jamais amigos certos", o termo destacado é sucessivamente:

Adjetivo e pronome
Pronome adjetivo e adjetivo
Pronome substantivo e pronome adjetivo
Pronome adjetivo e pronome indefinido
Adjetivo anteposto e adjetivo posposto
A classe gramatical a que pertence certo depende da posição em que ele se encontra na frase:

Antes do substantivo: certo é pronome indefinido;

Depois do substantivo: certo é adjetivo.

Os pronomes podem ser pronomes substantivos e pronomes adjetivos. Serão pronomes substantivos quando substituírem ou retomarem um substantivo. Serão pronomes adjetivos quando acompanharem um substantivo. Por exemplo:

Ele encontrou meu livro: Ele é pronome substantivo, pois substitui um substantivo. Meu é pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo livro.

O pronome indefinido certo sempre será pronome adjetivo, pois acompanha um substantivo.

A frase "Certos amigos não chegaram a ser jamais amigos certos" tem, em certos amigos, um pronome indefinido adjetivo e, em amigos certos, um adjetivo.




91- "... foram intimados a comparecer..."; "... não a fizeram..."; "... a sua oração...". As três ocorrências do a são, respectivamente:

Preposição, pronome e preposição
Artigo, artigo e preposição
Pronome, artigo e preposição
Preposição, pronome e artigo
Artigo, pronome e pronome
Os vocábulos o, a, os, as podem pertencer às seguintes classes gramaticais:

Artigo: quando antecederem um substantivo: o homem; a mulher; os homens; as mulheres.

Pronome pessoal oblíquo átono: quando funcionarem como objeto direto, substituindo ele, ela, eles, elas: Comprei-o; comprei-a; comprei-os, comprei-as.

Pronome demonstrativo: quando substituírem este(s), esse(s), aquele(s), esta(s), essa(s), aquela(s), isso: Não entendi o que ele disse = Não entendi aquilo que ele disse. A que me contou a história foi a esposa de João = Aquela que me contou...

Em opinião minoritária, Bechara e Celso Pedro Luft consideram-no como um artigo definido diante de um substantivo implícito, quando se pode subentender um substantivo.

Preposição: O a será preposição quando for exigida por verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio para estes se ligarem com outros elementos: Obedecer a algo; obediência a algo; ele é obediente a algo; agiu obedientemente a algo.

Na frase apresentada há o seguinte:

"... foram intimados a comparecer...": O a é preposição exigida por intimados: quem é intimado, é intimado a fazer algo.

"... não a fizeram...": O a é pronome pessoal oblíquo, pois substitui ela

"... a sua oração...": O a é artigo, pois antecede o substantivo oração.




92- Assinale a opção em que o termo em destaque, quando posposto ao substantivo, muda de significado e passa a pertencer a outra classe de palavras:

Complicada solução
Inapreciável valor
Extraordinária capacidade
Certos lugares
Engenhosos métodos
O termo que muda de significado e passa a pertencer a outra classe de palavras quando posposto ao substantivo é certo: passa de pronome adjetivo indefinido a adjetivo.




93- "...levaram a adotar"; "a sua morte..."; "... não a pôs...". As três ocorrências do a são, respectivamente:

Preposição, pronome e preposição
Pronome, artigo e preposição
Preposição, artigo e pronome
Artigo, artigo e preposição
Artigo, pronome e pronome
Os vocábulos o, a, os, as podem pertencer às seguintes classes gramaticais:

Artigo: quando antecederem um substantivo: o homem; a mulher; os homens; as mulheres.

Pronome pessoal oblíquo átono: quando funcionarem como objeto direto, substituindo ele, ela, eles, elas: Comprei-o; comprei-a; comprei-os, comprei-as.

Pronome demonstrativo: quando substituírem este(s), esse(s), aquele(s), esta(s), essa(s), aquela(s), isso: Não entendi o que ele disse = Não entendi aquilo que ele disse. A que me contou a história foi a esposa de João = Aquela que me contou...

Preposição: O a será preposição quando for exigida por verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio para estes se ligarem com outros elementos: Obedecer a algo; obediência a algo; ele é obediente a algo; agiu obedientemente a algo.

Na frase apresentada há o seguinte:

"...levaram a adotar": O a é preposição exigida pelo verbo levar: levar alguém a fazer algo

"a sua morte...": O a é artigo, pois antecede o substantivo morte.

"... não a pôs...": O a é pronome pessoal oblíquo, pois substitui ela



94- Assinale a alternativa em que é incorreta a correspondência entre o adjetivo e a locução adjetiva equivalente:

Investimento de vulto: investimento vultuoso
Azul do céu: azul celeste
Calor de verão: calor estival
Ilha de gelo: ilha glacial
Empréstimo com usura: empréstimo usurário
Vultuoso: diz-se do aspecto da face quando está vermelha e inchada, e com os olhos salientes.

Vultoso: que faz vulto, volumoso, importante.

A primeira frase está, portanto, inadequada. O certo é investimento vultoso, portanto, volumoso, e não investimento vultuoso, pois não é inchado, e sim considerável, de grande proporção e importância.




95- Assinale o par de vocábulos que formam o plural como órfão e mata-burro, respectivamente:

Cristão / guarda-roupa
Questão / abaixo-assinado
Alemão / beija-flor
Tabelião / sexta-feira
Cidadão / salário-família
Alguns substantivos terminados em -ão que se pluralizam em –ãos: cristão, cidadão, artesão, pagãos. Todas as paroxítonas terminadas em –ão se pluralizam em –ãos: bênçãos, órgãos, órfãos, acórdãos, sótãos.

Alguns substantivos terminados em –ão que se pluralizam em –ães: tabeliães, escrivães, sacristães, capelães, alemães, capitães.

Alguns substantivos terminados em –ão que se pluralizam em –ões: questões, tubarões, eleições. Todos os aumentativos se pluralizam em –ões.

Substantivos compostos:

Verbo + substantivo: só o substantivo se pluraliza: mata-burros, guarda-roupas, beija-flores

Advérbio + adjetivo: só o adjetivo se pluraliza: abaixo-assinados
Numeral + substantivo ou substantivo + pronome: ambos se pluralizam: sextas-feiras, pais-nossos
Substantivo + substantivo: ambos se pluralizam, a não ser que o segundo indique tipo ou finalidade do primeiro. Nesse caso, só o primeiro se pluraliza: salários-família, apesar de haver gramáticas e dicionários que pluralizam os dois: salários-famílias







96- Relativamente à concordância dos adjetivos compostos indicativos de cor, uma, dentre as seguintes, está errada:

Saia amarelo-ouro
Papel amarelo-ouro
Caixa-vermelho-sangue
Caixa vermelha-sangue
Caixas vermelho-sangue
Somente o último elemento do adjetivo composto concorda com o substantivo: saia amarelo-clara; saias amarelo-claras. Se, porém, um dos elementos for representado por um substantivo, ambos ficam invariáveis: caixa vermelho-sangue; caixas vermelho-sangue. São invariáveis também os seguintes adjetivos compostos: azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo indiciado por cor-de-...



97- Indique a frase correta:

Mariazinha e Rita são duas leva-e-trazes.
Os filhos de Clotilde são dois espalhas-brasas.
O ladrão forçou a porta com dois pés-de-cabra.
Godofredo almoçou duas couves-flor.
Alfredo e Radagásio são dois gentil homens.
Verbo + verbo com sentidos opostos: invariável: os leva-e-traz. Repetidos: ambos se pluralizam: piscas-piscas. Há gramáticas, porém, que admitem somente o último pluralizado: pisca-piscas

Verbo + substantivo: só o substantivo se pluraliza: espalha-brasas

Substantivo + preposição + substantivo: só o primeiro substantivo se pluraliza: pés-de-cabra
Substantivo + substantivo: ambos se pluralizam: couves-flores, a não ser que o segundo indique tipo ou finalidade do primeiro. Nesse caso, só o primeiro ou os dois se pluralizam: salários-família ou salários-famílias

Adjetivo + substantivo: ambos se pluralizam: gentis-homens



98- Está mal flexiona o adjetivo na alternativa:

Tecidos verde-olivas
Festas cívico-religiosas
Guardas-noturnos luso-brasileiros
Ternos azul-marinho
Vários porta-estandartes
Somente o último elemento do adjetivo composto concorda com o substantivo: festas cívico-religiosas, guardas-noturnos luso-brasileiros. Se, porém, um dos elementos for representado por um substantivo, ambos ficam invariáveis: tecidos verde-oliva. São invariáveis também os seguintes adjetivos compostos: azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo indiciado por cor-de-...



99- Na sentença "Há frases que contêm mais beleza do que verdade" temos grau:

Comparativo de superioridade
Superlativo absoluto sintético
Comparativo de igualdade
Superlativo relativo
Superlativo por meio de acréscimo de sufixo
Há três graus comparativos:

De igualdade: tanto... quanto, tão... como.

De superioridade: mais ... que, mais ... do que

De inferioridade: menos ... que, menos ... do que

Há dois graus superlativos:

Absoluto: que pode ser sintético – por meio de sufixo (-íssimo, -ílimo, -érrimo) ou por advérbio (muito). Ex.: Ele é inteligentíssimo. Ele é muito inteligente

Relativo: que pode ser de inferioridade: o menos ou de superioridade: o mais. Ex.: Ele é o menos inteligente. Ele é o mais inteligente.

Na frase "Há frases que contêm mais beleza do que verdade" temos grau comparativo de superioridade.




100- Aponte a alternativa em que haja erro quanto à flexão do nome composto:

Vice-presidentes, amores-perfeitos, os bota-fora
Tico-ticos, salários-família, obras-primas
Reco-recos, sextas-feiras, sempre-vivas
Pseudo-esferas, chefes-de-seção, pães-de-ló
Pisca-piscas, cartões-postais, mulas-sem-cabeças
Substantivos compostos:

Palavra invariável + substantivo ou adjetivo: só o substantivo ou o adjetivo se pluraliza: vice-presidentes, pseudoesferas, sempre-vivas.
Substantivo + substantivo: ambos se pluralizam, a não ser que o segundo indique tipo ou finalidade do primeiro. Nesse caso, só o primeiro ou ambos se pluralizam: salários-família ou salários-famílias.

Substantivo + adjetivo: ambos se pluralizam: amores-perfeitos, obras-primas, cartões-postais.

Numeral + substantivo ou substantivo + pronome: ambos variam: sextas-feiras, pais-nossos.

Substantivo + preposição + substantivo: só o primeiro substantivo se pluraliza: chefes-de-seção, pães-de-ló, mulas-sem-cabeça.

Verbo + verbo com sentidos opostos: invariável: os leva-e-traz. Repetidos: ambos se pluralizam: piscas-piscas. Há gramáticas, porém, que admitem somente o último pluralizado: pisca-piscas.

Palavras repetidas (menos verbo) ou onomatopéia: só o último elemento se pluraliza: tico-ticos, reco-recos.



101- Nas frases

O cônjuge se aproximou.
O servente veio atender-nos.
O gerente chegou cedo.
Onde não está claro se é homem ou mulher?

Não está claro se é homem ou mulher apenas na primeira frase, pois cônjuge é substantivo masculino, tanto para homem quanto para mulher. Já servente e gerente são comum de dois gêneros, ou seja, o artigo indica o gênero: o servente, a servente, o gerente, a gerente.




102- Em qual das alternativas colocaríamos o artigo definido feminino para todos os substantivos?

Sósia – doente – lança-perfume
Dó – telefonema – diabetes
Clã – eclipse – pijama
Cal – elipse – dinamite
Champanha – criança – estudante
São masculinos:

O lança-perfume

O dó

O telefonema

O clã

O eclipse

O pijama

O champanha

São femininos:

A criança

A cal

A elipse

A dinamite

São substantivos de dois gêneros:

O sósia, a sósia

O doente, a doente

O diabetes, a diabetes

O estudante, a estudante



103- Qual o superlativo de nobre, pobre, doce, amável, sagrado?

Nobre: nobilíssimo ou nobríssimo

Pobre: paupérrimo ou pobríssimo

Doce: dulcíssimo ou docíssimo

Amável: amabilíssimo

Sagrado: sacratíssimo



104- O plural de vice-rei, porta-estandarte, navio-escola e baixo-relevo é:

vice-rei: vice-reis, pois vice é palavra invariável.

porta-estandarte: porta-estandarte, pois porta é verbo, e estandarte, substantivo.

navio-escola: navios-escola, pois o segundo elemento é indica a finalidade do primeiro. Há gramáticas e dicionários que admitem ambos no plural: navios-escolas

baixo-relevo: baixos-relevos, pois baixo é adjetivo, e relevo, substantivo.




105- Especifique o que estiver totalmente correto quanto ao grau:

Cruíssimo é o grau superlativo de cruel e de cru.
Muitas vezes o diminutivo tem valor depreciativo: mãezinha, papelucho, rapazelho, casulo, camisola.
Deixaram de ter valor de grau aumentativo ou diminutivo: portão, cordel, cafezinho, mocinho, pequenininho.
Em linguagem precisa são aceitáveis as expressões mais paralelo que, mais oval, redondíssimo.
Em todas as alternativas há erro.
Cruíssimo: é o superlativo de cru. O de cruel é crudelíssimo ou cruelíssimo.

Muitos diminutivos e aumentativos não indicam tamanho, mas carinho, ironia, admiração ou desprezo. Por exemplo: paizinho, filminho, golaço ou gentalha.

Pode-se formar aumentativos e diminutivos através de prefixos em vez de sufixos. Por exemplo: supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário.

Portão, cordel, cafezinho e mocinho deixaram de ter valor de aumentativo ou de diminutivo, mas pequenininho, não. O mesmo ocorre com cartão, fogão, caldeirão, cartilha e folhinha (calendário).

As expressões apresentadas não são aceitáveis em linguagem precisa.

Em todas as alternativas, portanto, há erro.




106- Adjetivo no grau superlativo relativo ocorre em:

Acrescento que nada mais bonito existe do que um barco a vela.
E havia também as casas dos pobres do outro lado, construções muito admiráveis no ar.
O milagre da pobreza é sempre o mais novo e o mais cálido de todos os milagres.
O maior barco a vela seguia o caminho invisível do vento.
O domingo se aquietara quando passou zunindo um automóvel vermelho.
Há dois graus superlativos:

Absoluto: que pode ser sintético – por meio de sufixo (-íssimo, -ílimo, -érrimo) ou por advérbio (muito). Ex.: Ele é inteligentíssimo. Ele é muito inteligente

Relativo: que pode ser de inferioridade: o menos ou de superioridade: o mais. Ex.: Ele é o menos inteligente. Ele é o mais inteligente.

Há, portanto, superlativo relativo em Acrescento que nada mais bonito existe do que um barco a vela.




107- Os plurais álcoois, caracteres e anões respectivamente de álcool, caráter e anão são certos?

Álcool: apesar de os livros de gramática registraram alcoóis como o plural certo, o dicionário Aurélio registra álcoois.

Caráter: caracteres

Anão: anãos e anões



108- Uso de adjetivos:

Redação sem mácula: redação ________________
Argumento sem defesa: argumento _________________
Casa não habitada: casa ______________________
Amigo sem habilidade: amigo ___________________
Sem mácula: imaculada

Sem defesa: indefensável

Casa não habitada: inabitada

Amigo sem habilidade: inábil



109- Assinale a opção em que ambos os termos não admitem flexão de gênero:

Inglesa pálida
Jovem leitor
Alguns mestres
Semelhante criatura
Moça ideal
Inglesa pálida – inglês pálido

Jovem leitor – jovem leitora

Alguns mestres – algumas mestras

Semelhante criatura – semelhante criatura

Moça ideal – moço ideal



110- Em qual alternativa uma palavra apresenta erro de flexão?

Portas-bandeira, mapas-múndi
Salvos-condutos, papéis-moeda
Salários-família, vice-diretores
Guarda-civis, afro-brasileiros
Mãos-de-obra, obras-primas
Há duas palavras com erro de flexão: portas-bandeira
e guarda-civis. O adequado é porta-bandeiras e guardas-civis.

40- A (pesquisa / pesquiza) a ser desenvolvida visava à (consecução / consecussão) de objetivos bastante (pretenciosos / pretensiosos).

Pesquisa: Com S. Raras são as palavras na língua portuguesa terminadas em –isa que não se escrevem com S. Veja as poucas escritas com Z: baliza, coriza, ojeriza.

Consecução: Ato ou efeito de conseguir, obtenção; ou ainda sucessão, encadeamento. Tem relação com consecutivo. As palavras que mantêm relação com outras terminadas em –tivo escrevem-se com Ç: narrativo / narração; descritivo / descrição; dissertativo / dissertação; injuntivo / injunção

Pretensiosos: provém de pretender. As palavras derivadas de verbos terminados em –nder escrevem-se com S: pretensão (de pretender), ascensão (de ascender), compreensão (de compreender), apreensão (de apreender), repreensão (de repreender), suspensão (de suspender), distensão (de distender), extensão (de estender), ofensa (de ofender), defesa (de defender). Todas as palavras na Língua Portuguesa terminadas em –oso e –osa escrevem-se com S, com exceção de gozo.

A frase certa, portanto, é a seguinte:

A pesquisa a ser desenvolvida visava à consecução de objetivos bastante pretensiosos.




41- Assinale a lista em que não há erro de grafia:

Espontâneo, catorze, alisar, prazeirosamente
O certo é prazerosamente, advérbio derivado do adjetivo prazeroso, aquilo que proporciona prazer. Tanto pode ser catorze quanto quatorze.

Obsessão, obsceno, deslisar, sacerdotisa
O certo é deslizar.

Cansaço, atraso, tocha, pajem
Não há erro algum.

Angar, ombro, harém, hexágono
O certo é hangar = abrigo para aviões. A pronúncia de hexágono é ezágono.

Exaurir, desonra, hesitar, rehaver
O certo é reaver. Assim como reidratar e reabilitar, perde o h e o hífen.




42- A solidão é um retiro de (descanso / descanço), mas ninguém vive sempre em trégua, (tampouco / tão pouco) só, (esceto / exceto) o preguiçoso, eternamente em repouso.

Descanso: deriva do verbo descansar, que deriva de cansar.

Tampouco: significa também não ou muito menos
Exceto: desta palavra deriva exceção, assim como isento e isenção, intento e intenção, erudito e erudição, relato e relação, conjunto e conjunção.

A frase certa é a seguinte:

A solidão é um retiro de descanso, mas ninguém vive sempre em trégua, tampouco só, exceto o preguiçoso, eternamente em repouso.




43- Assinale a lista em que não há erro de grafia:

Tecer, vazar, aborígene, tecitura, maisena
O certo é tessitura. Tanto pode ser aborígene quanto aborígine. Apesar de o nome comercial ser grafado com Z, maisena se escreve com S; é a junção de mais, que significa milho graúdo com –ena, sufixo que indica numeral coletivo

Rigidez, garage, dissenção, rigeza, cafuzo
O certo é rijeza, substantivo abstrato que indica a qualidade de rijo, duro. O certo é dissensão.Tanto pode ser garage quanto garagem
Minissaia, paralisar, extravasar, abscissa, co-seno
Não há erro algum. Os substantivos iniciados por mini-, midi-, maxi- e os que indicam quantidade terminados em i (uni-, bi-, tri-, pluri-) são usados sem hífen; quando a palavra seguinte se iniciar por r ou por s, essas letras se duplicam: minissaia, minirrelógio. O verbo paralisar é derivado de paralisia. Extravasar é a junção dos seguintes morfemas: extra + vaso + ar, cujo significado é transbordar.

Abscesso, rechaçar, indu, soçobrar, coalizão
O certo é hindu. Soçobrar significa naufragar. Coalizão = acordo político.

Lambujem, advinhar, atarraxar, bússola, usofruto
O certo é adivinhar e usufruto. Os substantivos terminados em –gem escrevem-se com G, com exceção de lambujem, pajem e lajem, variante de laje.




44- Grafia adequada:

As crianças vão (mal / mau) de saúde.
Mal é o antônimo de bem; ambos são advérbios. Mau é o antônimo de bom; ambos são adjetivos. As crianças não vão bem de saúde, portanto elas vão mal de saúde.

Quebrou-se o (salto / sauto) do sapato.
Não existe a palavra sauto. Somente salto

Coloque uma pá de (cal / cau) na massa.
Não existe a palavra cau. Somente cal.

Não (autenticou / altenticou) a fotocópia.
Não existe o verbo altenticar. Somente autenticar.

Entornou a (cauda / calda) do doce.
Cauda é sinônimo de rabo. Calda é líquido espesso e viscoso obtido da fervura de água com açúcar.



45- Durante a (cessão / sessão / seção / secção) solene era (fragrante / flagrante) o desinteresse do mestre diante da (incipiência / insipiência) demonstrada pelo político.

Cessão: ato de ceder.

Seção: repartição, setor, subdivisão.

Secção: ato de seccionar, cortar, muito usual no meio científico.

Sessão: reunião; exibição de um filme ou programa; espaço de tempo em que se realiza determinada atividade.

Flagrante: no ato do acontecimento; evidente.

Fragrante: cheiroso, perfumado; que exala fragrância

Incipiência: estado de incipiente = novato, iniciante (C de início).

Insipiência: estado de insipiente = ignorante, tolo (S de saber, sabedoria, conhecimento).

A frase certa, então, é a seguinte:

Durante a sessão solene era flagrante o desinteresse do mestre diante da insipiência demonstrada pelo político.




46- e ou i? o ou u?
Cuidado com as palavras se, senão, sequer, quase e irrequieto.

Destilar ou distilar?
Destilar.

Privilégio ou previlégio?
Privilégio.

Criação ou creação?
Criação.

Desenteria ou disinteria ou disenteria ou desinteria?
Disenteria. Formado pelos seguintes morfemas: dis- = perturbação, distúrbio + -enter- = intestino + -ia = sufixo formador de substantivo abstrato

Quase ou quasi?
Quase.

Impecilho ou empecilho ou impecílio ou empecílio?
Empecilho. Deriva do verbo empecer.

Candeeiro ou candieiro?
Candeeiro.

Crânio ou crâneo?
Crânio.

Capueira ou capoeira?
Capoeira.

Guela ou goela?
Goela.

Bueiro ou boeiro?
Bueiro.

Bulir ou bolir?
Bulir = mover, agitar.

Tábua ou taboa?
Tábua.

Jaboticaba ou jabuticaba?
Jabuticaba.

Chuvisco ou chovisco?
Chuvisco.

Buliçoso ou boliçoso?
Buliçoso = que se move.

Siquer ou sequer?
Sequer.

Sinão ou senão?
Senão.

Irriquieto ou irrequieto?
Irrequieto.

Efetue ou efetui?
Efetue.

Criador ou creador?
Criador.

Pátio ou páteo?
Pátio.



47- Erro em forma verbal:

Josué atrasou o pagamento.
O verbo atrasar escreve-se com S. Deriva de atrás.

Puseste em mim tantas esperanças.
A conjugação do verbo pôr no pretérito perfeito do indicativo se escreve com S: eu pus, tu puseste, ele pôs, nós pusemos, vós pusestes, eles puseram.

D. Áurea cerzia com grande habilidade.
O verbo é cerzir = costurar.

Se quizeres, estudarei Matemática contigo.
A conjugação do verbo querer no pretérito perfeito do indicativo se escreve com S: eu quis, tu quiseste, ele quis, nós quisemos, vós quisestes, eles quiseram.

Fernanda já coseu suas meias.
Coser = costurar; cozer = cozinhar.




48- Erro no uso do porquê:

Por que insistes no assunto?
Usa-se por que, separado e sem acento, quando puder substituí-lo por por qual razão, sem que esteja em final de frase. Caso esteja em final de frase, usa-se por quê.

O carpinteiro não fez o serviço porque faltou madeira.
Usa-se porque, junto e sem acento, quando for conjunção causal, explicativa ou final. A causa de não ter feito o serviço foi a falta de madeira.

Não revelou porque não quis contribuir.
Usa-se por que, separado e sem acento, quando puder substituí-lo por por qual razão, sem que esteja em final de frase. Caso esteja em final de frase, usa-se por quê.Ele tentou explicar o porquê da briga.

Ele tentou explicar o porquê da briga.
Usa-se porquê, junto e com acento, quando houver artigo, pronome, numeral ou adjetivo antecedendo-o.

Ele recusou a indicação não sei por quê.
Usa-se por quê, separado e com acento, em final de frase.




49- Em que lista as palavras são formadas pelo mesmo processo?

Ajoelhar / antebraço / assinatura
Ajoelhar: derivação parassintética

Antebraço: derivação prefixal

Assinatura: derivação sufixal

Atraso / embarque / pesca
Atraso: ação de atrasar: derivação regressiva.

Embarque: ação de embarcar: derivação regressiva.

Pesca: ação de pescar: derivação regressiva.

O jota / o sim / o tropeço
O jota: derivação imprópria, pois substantivou o nome da letra.

O sim: derivação imprópria, pois transformou o advérbio de afirmação em substantivo.

O tropeço: ação de tropeçar: derivação regressiva

Entrega / estupidez / sobreviver
Entrega: ação de entregar: derivação regressiva.

Estupidez: derivação sufixal

Sobreviver: derivação prefixal

Antepor / exportação / sanguessuga
Antepor: derivação prefixal

Exportação: derivação parassintética

Sanguessuga: composição por justaposição




50- Que lista contém apenas palavras formadas por justaposição?

Desagradável / complemente
Desagradável: derivação prefixal e sufixal, existem desagradar e agradável

Complemente: conjugação do verbo complementar na primeira ou na terceira pessoa do singular do presente do subjuntivo: que eu/ele complemente.

Vaga-lume / pé-de-cabra
Vaga-lume: composição por justaposição

Pé-de-cabra: composição por justaposição

Encruzilhada / estremeceu
Encruzilhada: derivação parassintética

Estremeceu: conjugação do verbo estremecer na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: ontem ele estremeceu.

Supersticiosa / valiosas
Supersticiosa: derivação sufixal

Valiosas: derivação sufixal

Desatarraxou / estremeceu
Desatarraxou: conjugação do verbo desatarraxar na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: ontem ele desatarraxou.

Estremeceu: conjugação do verbo estremecer na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: ontem ele estremeceu.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Defeitos na celebração da Missa

1. A igreja ou o lugar onde é celebrada a Missa é profanado
Se se deu antes da Oração Eucarística, o Celebrante retira-se do altar; se foi durante a Oração Eucarística, continua a Missa.
*
2. Ocorre algo que impeça a celebração naquele momento, tal como inundação, ataque ou desabamento
O Celebrante, se ainda não consagrou [as duas Espécies], retira-se; se já tiver consagrado, pode adiantar a comunhão, comungar imediatamente e omitir as restantes cerimônias.
*
3. O Celebrante ou morreu ou desmaiou ou subitamente fica enfermo, de modo que não pode mais concluir o Sacrifício
Se isto lhe sucedeu antes da Consagração ou depois da Comunhão, omite-se o restante. Se, porém, sucedeu após a Consagração, a Missa deve ser continuada por outro sacerdote a partir do lugar em que foi interrompida. Se não se sabe onde se parou a celebração, julga-se pela posição do Missal, da hóstia etc. Se se duvida se tinha feito a Consagração, repete-se a Consagração sob condição [desta não ter ocorrido], sobre a mesma ou nova matéria.
Se o acidente aconteceu quando o Celebrante estiver a meio da fórmula da Primeira Consagração, não é necessário continuar a Missa, pois a Consagração não foi realizada. Se, porém, aconteceu em meio à fórmula da Segunda Consagração, o Sacerdote que continua a Missa repete a fórmula da Consagração a partir do “Do mesmo modo…”, ou sobre o mesmo cálice ou sobre outro oferecido, e, neste caso, toma o vinho do primeiro cálice depois de comungar o Preciosíssimo Sangue, antes das purificações ao fim da Comunhão; ou pode proferir a fórmula inteira sobre outro cálice preparado, e comunga a Hóstia do primeiro sacerdote e o Sangue consagrado por si mesmo, e depois o cálice restante.
Se o Sacerdote que adoeceu pode comungar, o Sacerdote que continua a Missa dá-lhe a comungar.
*
4. Um inseto ou qualquer impureza cai dentro do cálice antes da Consagração
O Celebrante depõe aquele vinho num vaso que depois da Missa esvaziará segundo uma purificação digna; coloca no cálice outro vinho e água, oferece-o dizendo mentalmente a oração do ofertório e continua a Missa.
Se foi depois da Consagração e pode tomar sem repugnância aquela impureza juntamente com o Preciosíssimo Sangue, continua a Missa sem se perturbar.
Se sente repugnância, extrai a impureza, põe-na num vaso, purifica-a com vinho (se for inseto e ele ainda estiver vivo, se tenha cuidado de não perdê-lo de vista), e continua a Missa. Depois da Missa, queima aquela impureza e dispõe a cinza junto à purificação que é feito às alfaias depois da Missa.
*
“Da nobis per huius aquae et vini mysterium, eius divinitatis esse consortes, qui humanitatis”
“Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do Vosso Filho…”
5. Cai no cálice algo venenoso ou que provoca vômito
Se isso acontece antes da Consagração, o Celebrante procede  como no número 4.
Se acontece depois da Consagração, o Celebrante coloca o vinho consagrado em outro cálice, prepara novo vinho com água para a Missa, oferece-o, consagra-o e continua a Missa. Depois desta, molha um pano de linho com o Preciosíssimo Sangue e põe no sacrário até que a Espécie do vinho estar inteiramente seca. Queima o tecido e dispõe a cinza dignamente. 
*
6. Algo venenoso toca na hóstia consagrada
Põe-na em outra patena ou num cálice para guardá-la no sacrário até se corromper, prepara uma nova hóstia, oferece-a, consagra-a e continua a Missa. Depois de corrompida, dá-lhe destino digno.
*
7. Fica dentro do cálice a partícula da hóstia consagrada e misturada ao Sangue no Rito da Comunhão
Isso pode acontece quando o Celebrante vai comungar do Sangue. Ele a traz com o indicador até a borda do cálice e a toma antes da purificação deste, ou coloca um pouco de vinho no cálice e toma-a quando beber o líquido.
*
8. A hóstia aparece partida ou cortada
Se foi antes do ofertório, o Celebrante põe-na à parte e pega outra hóstia.
Se foi depois do ofertório, o Celebrante deve consagrá-la.
*
9. Por descuido ou acidente, a hóstia consagrada cai dentro do cálice
Se só parte da hóstia caiu, o Celebrante continua a Missa, fazendo todas as cerimônias com a outra parte da hóstia.
Se caiu no cálice a hóstia inteira, o Celebrante não a retira, mas omite na continuação da Missa todas as cerimônias que devia fazer com ela. Toma juntamente o Corpo e o Sangue de Jesus, dizendo: “O Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo me guardem para a vida eterna”.
*
10. Num frio intenso, o vinho consagrado se congela
O Celebrante cerca o cálice de panos quentes ou mergulha-o com cuidado num vaso com água quente, junto do altar, até a Espécie se liquefazer novamente.
*
11. Alguma gota do Preciosíssimo Sangue cai 
Se caiu no pavimento ou num lugar de madeira, o Celebrante recolhe-a, se possível, com a língua, senão com um pano de linho; em seguida, raspa a madeira, deixa enxugar as raspas e o pano e queima tudo e se desfaz da cinza dignamente, bem como purifica assim o instrumento com o qual se serviu para raspar.
Se caiu na pedra do altar ou na patena ou no pé do cálice, recolhe-a como dito anteriormente, lava esse lugar e se desfaz dignamente da água de purificação.
Se caiu no corporal, nas toalhas, nos paramentos ou no tapete, lava por três vezes o dito lugar e se desfaz dignamente da água de purificação.
*
12. Todo o vinho consagrado se derrama
Se sobraram apenas algumas gotas no cálice, toma estas na Comunhão e, quanto à parte derramada, procede como nos números anteriores sobre isto.
Se não ficou nada no cálice, prepara, oferece e consagra um novo vinho com água e continua a Missa.
*
13. O Celebrante vomita todas as Espécies que comungou
Se recebê-las de novo causaria repugnância, deve retirá-las e pô-las num vaso no Sacrário até ficarem corrompidas, desfazendo-se dignamente delas depois.
Se, por não se distinguirem as Espécies, elas não possam ser novamente comungadas pelo Celebrante, este embebe o vômito em pano de linho e o queima e se desfaz da cinza.
*
14. Uma hóstia ou fragmento cai
Se foi no chão, recolhe-se com reverência, lava-se o lugar, raspa-se e destas se desfaz dignamente.
Se foi numa toalha ou em qualquer outro pano, lava-se o lugar com todo o cuidado e se desfaz dignamente da água de purificação.
*
15. Encontra-se uma hóstia sobre o altar, na patena ou num vaso
Se há dúvida se foi consagrada, guarda-se no sacrário, mas não no cibório, para ser consumida na Missa depois da Comunhão do cálice.

domingo, 6 de outubro de 2019

Como ler rótulos de alimentos, calcular e montar a tabela nutricional

As informações da embalagem podem ajudar você a ter uma dieta mais saudável

Ler os rótulos dos alimentos ajuda a evitar o excesso de sal e gorduras na dieta
Para manter uma dieta balanceada é fundamental conhecer as propriedades dos alimentos que consumimos. Por conta disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou obrigatória a veiculação de um rótulo nutricional nas embalagens dos produtos.
Nele devem constar o valor energético e a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras e sódio do alimento. Outras informações, como presença de vitaminas e outros minerais, e outros nutrientes ou elementos, são opcionais.
Para que essas informações sejam realmente úteis, é preciso compreender o significado de cada item. O iG Saúde conversou com o cardiologista Edmar Santos, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e com a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), e organizou as informações para ajudar qualquer pessoa a decifrar o que significa cada item da tabela nutricional. Confira.
Conheça os itens de informação obrigatória no rótulo nutricional das embalagens de alimentos:
Porção (em g ou ml)
Trata-se da quantidade média recomendada para consumo para manter uma alimentação saudável. Atenção: na maioria das vezes os valores nutricionais não correspondem ao alimento inteiro. Exemplo: um pacote com 90 g de salgadinho pode conter uma tabela nutricional baseada em uma porção de 30 g. Para saber o quanto ingeriu, neste caso, será preciso multiplicar os valores do rótulo por 3.

Medida caseira
Como a maioria das pessoas não tem balança em casa – seria difícil entender a tabela se os valores fossem baseados apenas no peso dos alimentos – ela mostra qual é a forma de medida normalmente utilizada pelo consumidor para calcular a quantidade daquele alimento. Exemplo: unidade, porção, fatia, colher, copo etc.
%VD
A sigla significa Valor Diário. Ela indica qual a quantidade de energia (calorias) e de nutrientes que o alimento apresenta em relação a uma dieta média de 2.000 kcal. Atenção: se encontrar uma sopa desidratada com 90% do VD de sódio, por exemplo, é sinal de que só esse produto já fornece quase o total da quantidade recomendada desse nutriente para um dia.
Valor energético
São as famosas calorias (kcal). Elas representam a energia que nosso corpo produz a partir do consumo daquela porção de alimento. Atenção: os valores energéticos também podem aparecer com outra unidade de medida, os quilojoules (kJ). Nesses casos, basta lembrar que 1 kcal corresponde a 4,2 kJ.
Necessidades diárias: 2.000 calorias (média para um adulto saudável)
Carboidratos
Eles atuam como fontes de energia para o corpo. A parcela não utilizada pelo organismo é estocada na forma de gordura. Por isso, é preciso consumir a quantidade adequada desse nutriente (daí a importância de ficar de olho no %VD dos alimentos). Os carboidratos são encontrados em pães, tubérculos, massas, farinhas e doces em geral.
Necessidades diárias: 300g
Proteínas
Auxiliam a construir e conservar tecidos, órgãos e células. Em doses apropriadas, elas garantem a manutenção da saúde e também proporcionam sensação de saciedade. Carnes, lácteos e leguminosas (feijão, soja, grão de bico, quinua etc) contêm boas doses do nutriente.
Necessidades diárias: 75g
Gorduras totais
Além de serem altamente energéticos, esses compostos auxiliam no transporte das vitaminas A, D, E e K. Atenção: o consumo deve ser moderado, já que o abuso provoca aumento de peso. Consulte sempre seu nutricionista!. Exemplo: enquanto 1g de carboidrato tem 4 kcal, o mesmo valor de gordura tem 9 kcal. As gorduras totais representam a soma de todos os tipos de gorduras, ou seja, as poli-insaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans.
Necessidades diárias: 55g
Gorduras saturadas
São aquelas encontradas essencialmente em produtos de origem animal, como carnes, queijos, pele de frango, leite integral, requeijão e manteiga, entre outros. A ingestão excessiva desse tipo de gordura aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Por isso, não é recomendado extrapolar nos alimentos com alto %VD.
Necessidades diárias: 22g
Gorduras trans
Também chamadas de ácidos graxos trans, elas estão presentes principalmente em produtos industrializados, que levam gorduras vegetais hidrogenadas na preparação – salgadinhos, bolachas, sorvetes e margarinas são bons exemplos.
Necessidades diárias: a gordura trans não tem função importante no organismo e, pior, ainda aumenta as chances de problemas no coração. Segundo a Anvisa, para não prejudicar a saúde o ideal é consumir no máximo 2g de gordura trans por dia.
Fibra alimentar
São compostos essenciais para o bom funcionamento do organismo. Entre seus benefícios estão o controle das taxas de glicemia e colesterol, a manutenção das funções intestinais e o aumento do efeito de saciedade. As fibras são facilmente encontradas em frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais.
Necessidades diárias: 25g
Sódio
O nutriente é importante para a regulação hídrica e o desempenho adequado do cérebro. Em excesso, ele provoca malefícios como retenção de líquidos e aumento de pressão arterial. Atenção: nem todo mundo sabe, mas o sódio é um dos componentes do sal de cozinha e está presente na maioria dos produtos industrializados, mesmo nos que têm gosto doce. Para evitar complicações, fique de olho no %VD de sódio e procure manter distância do saleiro.
Necessidades diárias: 2.400mg

A tabela nutricional é obrigatória em quase todos os alimentos industrializados no país. Para fazer uma tabela nutricional, basta seguir alguns passos.

Quais produtos não precisam apresentar a informação nutricional?

Segundo a ANVISA, estão dispensados dessa informação:
  • os produtos de ingrediente único (arroz, açúcar, café),
  • os produtos fracionados na venda, como queijos e presuntos,
  • frutas, legumes e vegetais comercializados in natura, refrigerados ou congelados,
  • produtos cuja superfície de embalagem tenha menos de 100 cm²,
  • alimentos prontos para o consumo preparados e embalados em restaurantes e estabelecimentos comerciais.

Quais os itens obrigatórios da tabela nutricional?

Primeiro é preciso apresentar a porção de consumo, em gramas ou ml, seguido da medida caseira correspondente (um copo, uma colher de sopa, ¾ de xícara, 2 unidades de torrada, entre outros).

Modelo de Tabela Nutricional









Modelo de Tabela Nutricional
Modelo de Tabela Nutricional

Observação: “Outros minerais” e “vitaminas” farão parte do quadro obrigatoriamente quando for feita uma declaração de propriedades nutricionais ou outra declaração que faça referência a estes nutrientes (como “produto vitaminado” ou “fonte de vitaminas”).
Optativamente, podem ser declarados vitaminas e minerais quando estiverem presentes em quantidade igual ou maior a 5% da Ingestão Diária Recomendada por porção indicada no rótulo.

Modelo:
Informação nutricional
Porção de ... g ou ml (medida caseira)
Quantidade por porção / VD
Valor energético - kcal e kJ / VD
Carboidratos - g / VD
Proteínas - g / VD
Gorduras totais - g / VD
Gorduras saturadas - g / VD
Gorduras trans - g
Fibra alimentar - g / VD
Sódio - mg / VD
Outros minerais (quando declarados) - mg ou mcg / VD
Vitaminas (quando declaradas) - mg ou mcg / VD
Outros modelos de informação nutricional:
Carboidratos, dos quais:
Açúcares - g 
Gorduras totais, das quais:
Gorduras saturadas - g / VD
Gorduras trans - g
Gorduras monoinsaturadas - g
Gorduras poli-insaturadas - g
Colesterol - mg / VD

Como calcular a porção e medida caseira do seu produto

Para determinar a porção recomendada, utilize a tabela de porção de alimentos compostos da RDC nº 359 da ANVISA (parágrafo 5.8).
Caso não encontre a categoria de seu produto, será necessário primeiro fazer o cálculo do valor energético com base em 100g de produto, depois utilizar a tabela no item 4 da RDC nº 359 para calcular a porção equivalente ao valor energético recomendado para cada grupo de alimentos.

Como calcular a tabela nutricional do seu produto

Agora que você tem em mãos o valor da porção, vamos calcular os itens da tabela nutricional. Neste exemplo, vamos usar como base um “bolo”, cuja porção é de 60g, ou 1 fatia.
1- Faça uma lista com todos os ingredientes da receita e quantidades.
Vamos ao exemplo: essa receita é suficiente para 4250 gramas de bolo. Como a porção que precisamos é de 60g, vamos fazer uma regra de três em todos os ingredientes para uma receita de “um bolo de 60g”.
Por exemplo, para a farinha:
  • 1000g de farinha = 4250g de bolo
  • x de farinha = 60g de bolo








Lista com Todos os Ingredientes da Receita
Lista com Todos os Ingredientes da Receita

Por exemplo, segundo a tabela TACO, os ingredientes de nossa receita de bolo contém as seguintes quantidades de carboidratos (quantidade de gramas de carboidratos para 100g de ingrediente).
2- Anote ao lado de cada ingrediente os valores de cada item da composição. Para isso você precisará de uma Tabela de Composição de Alimentos.
Uma das mais completas é a Tabela TACO, elaborada pela Unicamp. (No momento em que atualizamos este artigo, os links não estão funcionando, mas disponibilizamos em nosso site o download nos links abaixo).
Para baixar a tabela TACO:
Outra opção é a TBCA, mantida pela USP, que está em sua sexta edição. A TBCA é uma tabela mais completa (que utiliza informações da tabela TACO e outras), e já traz as tabelas de alimentos cozidos e preparados, o que pode facilitar o trabalho.
A TBCA pode ser acessada em http://www.fcf.usp.br/tbca/
Por exemplo, segundo a tabela TACO, os ingredientes de nossa receita de bolo contém as seguintes quantidades de carboidratos (quantidade de gramas de carboidratos para 100g de ingrediente).
Se em 100g de farinha, há 77,7g de carboidrato, e em nosso bolo de 60g, temos 11,117g de farinha, a quantidade carboidrato em nosso bolo é de:
  • 100g de farinha = 77,7g de carboidrato
  • 14,117g de farinha = x de carboidrato
Resultado: 10,96g carboidrato da farinha. O mesmo cálculo deve ser feito em cada ingrediente.








Composição de Cada Ingrediente
Composição de Cada Ingrediente

Repita o mesmo cálculo para todos os nutrientes (proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, fibra alimentar e sódio). Agora sabemos que a nossa porção de 60g de bolo contém 23,08g de carboidratos. Esse é o valor que será colocado na tabela nutricional.
Observação: A tabela TACO não traz valores de referência para gordura trans, pois não se deve consumir menos que 2g. A água não foi calculada porque não apresenta nenhum nutriente.
Para isso, consulte a tabela TBCA, que traz a composição de alimentos prontos, ou, caso o seu produto não esteja contemplado, é necessário enviar o ingrediente (margarinas e gorduras) para uma análise físico-química em um laboratório, para um laudo com os valores de referência que você utilizará.
3 - Calcule o valor energético
A quantidade do valor energético a ser declarada deve ser calculada utilizando os seguintes fatores de conversão:
  • Carboidratos fornecem 4 kcal/g - 17 kJ/g
  • Proteínas fornecem 4 kcal/g - 17 kJ/g
  • Gorduras fornecem 9 kcal/g - 37 kJ/g
Como já sabemos as quantidades de carboidratos, proteínas e gorduras em nossa porção de 60g (segundo os cálculos anteriores), basta multiplicar o valor pelo fator de conversão acima.








Cálculo do Valor Energético
Cálculo do Valor Energético

E, considerando que 1 kcal equivale a 4,2 kJ, temos 656,77 kJ na porção de bolo.Portanto, em 60 g (uma porção do bolo) haverá 156,37 kcal.
4 - Como calcular os Valores Diários
Os valores diários recomendados são os seguintes. Para indicar a %, basta apontar a fração que o seu produto apresenta em relação à seguinte tabela:

Valores diários de referência de nutrientes de declaração obrigatória

  • Valor Energético - 2000 kcal ou 8400 kJ
  • Carboidratos - 300 gramas
  • Proteínas - 75 gramas
  • Gorduras Totais - 55 gramas
  • Gorduras Saturadas - 22 gramas
  • Fibra Alimentar - 25 gramas
  • Sódio - 2400 miligramas
Para gorduras trans, monoinsaturadas e poli-insaturadas, não há valor diário de referência, devendo constar a informação: ''VD ou valor diário não estabelecido''. Deve-se consumir alimentos com os menores teores de gordura trans.

Valores diários de referência de nutrientes de declaração optativa

  • Colesterol - 300 miligramas
  • Cálcio - 1000 miligramas
  • Ferro - 14 miligramas

Valores de Ingestão Diária Recomendada de Nutrientes (IDR) de Declaração Voluntária - Vitaminas e Minerais

  • Vitamina A² - 600 µg
  • Vitamina D² - 5 µg
  • Vitamina C² - 45 mg
  • Vitamina E² - 10 mg
  • Tiamina² - 1,2 mg
  • Riboflvina² - 1,3 mg
  • Niacina² - 16 mg
  • Vitamina B6² - 1,3 mg
  • Ácido fólico² - 400 µg
  • Vitamina B12² - 2,4 µg
  • Biotina² - 30 µg
  • Ácido pantotênico² - 5 mg
  • Cálcio² - 1000 mg
  • Ferro²* - 14 mg
  • Magnésio² - 260 mg
  • Zinco²** - 7 mg
  • Iodo² - 130 µg
  • Vitamina K² - 65 µg
  • Fósforo³ - 700 mg
  • Flúor³ - 4 mg
  • Cobre³ - 900 µg
  • Selênio² - 34 µg
  • Molibdênio³ - 45 µg
  • Cromo³ - 35 µg
  • Manganês³ - 2,3 mg
  • Colina³ - 550 mg
(*) 10% de biodisponibilidade, (**) Biodisponibilidade moderada
NOTAS: 1- Human Vitamin and Mineral Requirements, Report 7ª Joint FAO/ OMS Expert Consultation Bangkok, Thailand, 2001.; 2- Dietary Reference Intake, Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. 1999-2001
Vamos ao nosso bolo. Sabemos que a porção do bolo tem 23,08g de carboidrato. Como o Valor Diário recomendado é de 300g, uma porção de bolo equivale a 7,67%, ou arredondando, 8% do VD.
Por fim, veja como ficou a Tabela Nutricional do nosso bolo de exemplo:








Como Ficou a Tabela Nutricional
Como Ficou a Tabela Nutricional

Declaração simplificada

Quando o seu produto não contém um ou mais nutrientes, pode se optar pela declaração simplificada.  Em vez de declarar cada valor nulo na tabela, acrescenta-se uma linha com a seguinte frase:
“Não contém quantidades significativas de [nome dos nutrientes com valor 0].” 
Por exemplo, tomemos como ilustração o produto ''refresco de tangerina Tang'': “Não contém quantidades significativas de proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e fibra alimentar.” Isso quer dizer que o produto só apresenta em sua composição valor energético, carboidratos, sódio e vitamina C.

Informação nutricional multilíngue

Quando o produto contém informações em um ou mais idiomas, a informação pode ser traduzida para o inglês ou espanhol. Tomemos como o exemplo o biscoito recheado da Piraquê:

Informação / información nutricional / nutrition facts

Porção / porción / portion of 30 g (4 unidades / units)

Quantidade por porção / cantidad por porción / amount per serving; VD / DV

Valor energético / Calorías / Calories - 149 kcal / 625 kJ; 7%
Carboidratos, dos quais: / Carbohidratos, de los cuales / Carbohydrates, of which: / 21g; 7%
Açúcares / Sugars / Azúcares - 9,8g; **
Proteínas / Proteins - 1,6g; 2%
Gorduras totais, das quais: / Grasas totales, de las cuales: / Total fat, of which: - 6,5g; 12%
Gorduras saturadas / Grasas saturadas / Saturated fat - 3,0g; 14%
Gorduras trans / Grasas trans / Trans fat - não contém / no contiene / none; **
Gorduras monoinsaturadas / Grasas monoinsaturadas / Monounsaturated fat - 2,1g; **
Gorduras poli-insaturadas / Grasas polinsaturadas / Polyunsaturated fat - 0,5g; **
Colesterol / Cholesterol - 0mg; 0%
Fibra alimentar / alimentaria / Dietary fiber - 0,6g; 2%
Sódio / Sodio / Sodium - 60mg; 3%

*% Valores diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. **% VD não estabelecido.

*% Daily reference values based on a 2000 kcal or 8400 kJ diet. Its daily values may be higher or lower depending on their energy needs. **% DV not established.

*% Valores de referencia diarios con base en una dieta de 2000 kcal u 8400 kJ. Sus valores diarios pueden ser mayores o menores dependiendo de las necesidades de energía. **% DV no establecido.

Declaração nutricional simplificada multilíngue - exemplo com bala de gelatina Fini:

Informação / Información nutricional / Nutrition facts
Porção de 30 g (3 1/2 unidades)

Quantidade por porção / cantidad por porción / amount per serving; % VD (*) / DV
Valor energético / Caloric value - 37 kcal / 307 kJ / 4%
Carboidratos / Carbohidratos / Carbohydrates - 17 g / 6%
Proteínas / Proteins - 1,6 g / 2%
Sódio / Sodio / Sodium - 8,4 mg / 0%

Não contém quantidade significativa de gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e fibra alimentar.
No contiene cantidad significativa de grasas totales, grasas saturadas, grasas trans y fibra alimentaria.
Does not contain significant amount of total fats, saturated fats, trans fats and dietary fiber.

*% Valores diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. **% VD não estabelecido.

*% Daily reference values based on a 2000 kcal or 8400 kJ diet. Its daily values may be higher or lower depending on their energy needs. **% DV not established.

*% Valores de referencia diarios con base en una dieta de 2000 kcal u 8400 kJ. Sus valores diarios pueden ser mayores o menores dependiendo de las necesidades de energía. **% DV no establecido.

O que são gorduras insaturadas, saturadas e trans?

GORDURA INSATURADA
O que é – Existente principalmente em vegetais, ela é líquida em temperatura ambiente. Há a monoinsaturada (com apenas uma ligação dupla de carbono) e a poli-insaturada (com mais de uma ligação dupla de carbono)
Onde é encontrada? – Azeite de oliva, óleo de canola e de milho, amêndoa, castanha-do-pará, abacate, semente de linhaça, truta e salmão
Consumo máximo por dia* – 44 gramas
Efeitos no corpo – Ajuda a reduzir o colesterol ruim, o triglicérides (tipo de gordura que, em níveis elevados, pode causar doenças coronarianas) e a pressão arterial
Ligação química – Faltam alguns átomos de hidrogênio em sua molécula e, por isso, ocorre uma ligação dupla entre os carbonos
gordura-trans
GORDURA SATURADA
O que é – Um tipo de gordura encontrado principalmente em produtos de origem animal e que, em temperatura ambiente, apresenta-se em estado sólido
Onde é encontrada? – Carnes vermelhas e brancas (principalmente gordura da carne e pele das aves), leite e derivados integrais (manteiga, creme de leite, iogurte, nata) e azeite de dendê
Consumo máximo por dia* – 20 gramas
Efeitos no corpo – Aumenta o colesterol ruim (LDL), que se deposita nas artérias, elevando o risco de problemas no coração
Ligação química – Cada átomo de carbono mantém uma ligação simples com outro carbono e está ligado a dois átomos de hidrogênio
GORDURA TRANS
O que é – Um tipo de gordura formada por um processo químico (hidrogenação), no qual óleos vegetais líquidos são transformados em ácido graxo trans, uma gordura sólida
Onde é encontrada? – Margarina, biscoitos, batatas fritas, sorvete e salgadinhos de pacote
Consumo máximo por dia* – 2 gramas
Efeitos no corpo – Não faz nada bem à saúde: aumenta o colesterol ruim e, ao mesmo tempo, reduz o bom
Ligação química – Similar à da gordura saturada, mas os átomos de hidrogênio estão dispostos transversalmente (na diagonal), e não em paralelo, como ocorre com os ácidos graxos encontrados na natureza. Daí vem o nome “trans”
CONSUMA COM MODERAÇÃO
Apesar da fama de feias e más, as gorduras são importantes para nosso corpo. Elas são fontes de energia, fornecendo 9 calorias por grama, e têm boas doses de vitaminas e ácidos graxos essenciais, responsáveis por manter as paredes das células funcionando em boas condições. Para saber o tipo e a quantidade de gordura de um alimento, fique de olho na tabela de informação nutricional que vem no rótulo da embalagem. Mas não abuse: na média, nosso consumo diário de gordura não deve ultrapassar 30% da ingestão calórica total.
* Numa dieta de 200 calorias por dia

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Descarrilhar ou descarrilar?

Ser jornalista é perigoso. Muito perigoso. Ele tem de escrever rápido. Quase nunca pode revisar o texto. Resultado: corre o risco diário de escrever cachorro com x. Outro dia, quase aconteceu no jornal. Na matéria “Perigo sobre trilhos”, o repórter digitou “descarrilhar”. Não satisfeito, dobrou a dose. Grafou mais adiante “descarrilhamento”.
Leitores estranharam a grafia. Telefonaram. Escreveram cartas. Mandaram e-mails. “A forma correta”, explicaram eles, “é descarrilar e descarrilamento. Por uma razão simples: a palavra vem de carril (trilho). O h não faz parte da família, talvez por influência de trilho. É penetra”.
E daí? A língua é cheia de surpresas. Essa é uma delas. Existem as duas grafias. A escrita com h é criação nossa. Ambas aparecem firmes e fortes (descarrilar e descarrilamento, descarrilhar e descarrilhamento) no dicionário.

Existem duas outras variantes (desencarrilar e desencarrilamento, desencarrilhar e desencarrilhamento). Embora com pouco uso, têm o mesmo significado.

Rima na prosa? Xô!

A língua encanta. Harmonias e ritmos seduzem ouvidos e arrebatam corações. Como chegar lá? Não há necessidade de mágicas. Basta usar os recursos do código — organizar as palavras de tal forma que a frase ganhe fluência e ritmo. A melhor pista: ler o texto em voz alta. O que escapa aos olhos grita aos ouvidos.
É o caso do eco. A rima é qualidade da poesia, mas defeito na prosa. A  repetição de sons iguais ou semelhantes pede providências:
  1. Houve confusão na reunião da diretoria. Feito o estrago, não houve como impedir a divulgação do fato. Agora se teme que os sócios exijam a elucidação das particularidades.  
Tantos ãos retumbam como trovão. Mesmo em silêncio, saltam aos olhos e ecoam no ouvido interno. Melhor reduzir a presença da dupla barulhenta: Houve tumulto no encontro da diretoria. Feito o estrago, foi impossível evitar a divulgação do fato. Agora se teme que os sócios exijam que se elucidem as particularidades.
    2. O Plano Real acabou com a inflação considerada mortal para o trabalhador.
Nada feito. O ouvido reclama. Vamos ao troca-troca: O Plano Real acabou com a inflação que mata a economia do trabalhador.
   3. O rigor do calor causava mal-estar crescente até nos moradores de Salvador.
Sem eco: O forte calor causava mal-estar crescente até nos moradores da capital baiana.

Politicamente incorreto - paraíba & cia

O presidente Bolsonaro chamou os governadores nordestinos de paraíbas. Eles não gostaram. Escreveram carta de protesto. O Planalto não respondeu. Mas uma questão ficou no ar: paraíba, no sentido de nordestino, é politicamente incorreto? É. Paraíba, como cabeça-chata, exprime preconceito. Xô! Identifique o estado de origem com precisão — maranhense, paraibano, pernambucano, cearense, e só chame de baiano quem nasceu na Bahia.
Há palavras e palavras. Algumas informam. Outras emocionam. Há as que mobilizam para a ação. Todas têm hora e vez. Cuidado especial merecem as que ofendem ou reforçam preconceitos. Grupos organizados — movimento negro, movimento gay, movimento feminista – estão atentos aos vocábulos politicamente incorretos.  Recomenda-se cuidado para não ofender nem agredir as pessoas. Como evitar ofensas e agressões?
1. Alto, baixo, gordo, magro, grande, pequeno são relativos. Alguém pode ser alto pra uns e baixo pra outros. Diga a altura, o peso, o tamanho: 1,95m, 50kg, 300km.
2. Negro é raça. Nessa acepção, use-o sem pensar duas vezes. Pelé é negro. Não é escurinho, crioulo, negrinho, moreno, negrão ou de cor.
3. Evite o adjetivo em expressões de conotação negativa. Em vez de nuvens negras, prefira nuvens pretas ou escuras. Em lugar de lista negra, fique com lista dos maus pagadores.
4. Apague denegrir de seu dicionário. Prefira comprometer. Elimine também judiar. Substitua-o por maltratar.
5. Quer indicar cor? O preto está às ordens. Gordão? Nem pensar. Diga o peso. Bicha, veado, sapatão? Xô! Fique com homossexual, gay, lésbica.
6. Diga chinês, coreano, japonês (não: japa, china, amarelo); idoso (não: velho, decrépito, gagá, pé na cova, titio, vovô); lésbica (não: sapatão, pé 44); pobre, pessoa de baixa renda (não: pobretão, pé de chinelo, ralé, mulambento, raia miúda, povão, arraia-miúda, plebe, gentinha, gentalha, povaréu, zé-povinho, corja, escória, populacho); pessoa com deficiência (não: portador de necessidades especiais, portador de deficiência, retardado, excepcional, inválido); religioso (não: papa-hóstia, igrejeiro, carola, beato, barata de igreja); travesti (não: traveco, boneca, bicha).
Você pode, em vez de pobre, especificar a renda.
7. Se necessário, especifique a idade.
8. Quer generalizar? Diga nordestino, nortista ou sulista.
Atenção
Não exagere. Cabeleireiro é cabeleireiro, não hair stylist. Costureira é costureira, não estilista de moda (outra especialidade). Manicure é manicure, não esteticista de unhas. Empregada doméstica é empregada doméstica, não secretária do lar. Dona de casa é dona de casa, não do lar ou especialista em prendas domésticas. Cego é cego, mudo é mudo, surdo é surdo, surdo-mudo é surdo-mudo. Pessoa com deficiência nem sempre tem a precisão desses termos. Quando necessário, use-os sem constrangimento.
Curiosidade
O radialista Airton Medeiros estava entrevistando ao vivo a presidente de uma associação de cegos em programada da Rádio Nacional. Tratava-a de cega o tempo inteiro até receber um papelzinho com a recomendação de que a tratasse como “deficiente visual”. Antes de obedecer à ordem, perguntou se deveria continuar tratando-a de cega ou deficiente. Ela aproximou as mãos do rosto dele até tocar os óculos. Então afirmou: “Deficiente visual é sua gramática, que está desatualizada. Eu sou cega”.

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