segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A história dos ônibus de João Pessoa - Década de 90

Entrando nos anos 90, temos ao lado uma imagem de 1996 nas proximidades do Parque Sólon de Lucena, mais conhecido como Lagoa, centro da capital. Imagem melhor não poderia ser para abrir a postagem da década mais fascinante para quem gosta dos urbanos, mediante variedade de chassis e carrocerias existentes na década… na foto, dois Caio Vitória da Boa Vista e Marcos da Silva, um Marcopolo Torino 1989 da Mandacaruense e um Busscar Urbanus II da Reunidas. Particularmente, dentre todas as décadas que vimos nas postagens anteriores até essa (70, 80 e 90) que estamos abordando (restando apenas uma próxima para fechar), essa foi a mais marcante para minha vivência busológica… tanto por ser a única que vivi, juntamente com a década de 00 que veremos na próxima postagem. A cada ida ao centro no fim de semana com os meus 5, 6 anos de idade, o meu gosto por ônibus se aprofundava mais, sendo cada viagem uma nova descoberta. Quem viveu esta década e quem acompanhou os urbanos sabe o quanto foi bom e o quanto era imprevisível as coisas… cada ida ao centro, cada volta na cidade não se tinha ideia do que encontraria… hoje, tudo (ou quase) é previsível…
A Legislação e estrutura vigente na década
Nos anos 90 aconteceu a última modificação da legislação e validação legal que tange a estrutura do transporte pessoense. Em 1995, o prefeito Francisco Franca homologou o Decreto 2.819, no dia 17 de Março, regulamentando o transporte público de passageiros por ônibus na capital paraibana, revogando o Decreto 1.996 de 12 de Julho de 1990.
Após a homologação da Lei Nº 9.503, de 23 de Setembro de 1997, que instituia o Código de Trânsito Brasileiro, mais uma mudança estava por vir…em 1998, a STTrans - Superintendência de Transportes e Trânsito - foi criada pela Lei N° 8.580/98 sob a forma de autarquia municipal de regime especial, se originando da transformação da estrutura da antiga Superintendência de Transportes Públicos – STP, órgão responsável pelo gerenciamento dos transportes públicos criado em 1980.  A STTrans foi transformada em Semob - Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana - em 2011.

E a AETC/JP (Associação das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa) continuou com sua atribuição legal, entre uma delas de comercializar os vale-transporte, cartão cidadão e passe estudantil.
Empresas atuantes nos anos 90 – fim da Setusa e da gigante Etur e consolidação do Grupo A Cândido

A década de 90 começou com as seguintes empresas no sistema de transporte:
► Etur – Operava no Grotão e Funcionários (linhas 101 e 114), Valentina (120), Geisel (106), José Américo (107), Esplanada/Costa e Silva (102), Distrito Industrial (115 e 103 – Toália), Cidade dos Funcionários (105), Rua do Rio (109), Gramame (113), além da Circular 5110 e da interurbana 112 – Conde/Jacumã. Existem relatos de que ela também operava a linha 117 – Santa Rita via Cruz das Armas;
Etur em Cruz das Armas, na linha 105 – Cidade

► Transurb – Operava no Geisel (502), Bairro das Indústrias (104), Jardim Planalto (110) e Alto do Mateus (108);
Thamco Águia da Transurb, prefixo 0232

► Mandacaruense – Operava as linhas de Padre Zé/13 de Maio (503), Mandacaru (504), Bairro dos Ipês (505) e Bairro dos Estados (506);

► Setusa – Operava em Mangabeira (305), Bessa (601), Róger (002), Bairro das Indústrias e Mandacaru (1001) e as circulares 1500/5100/2300 e 3200;
Mercedes-Benz Monobloco O-371U
► Transnacional – Operava no Geisel (202), Cristo (204), Ceasa (201), Mangabeira (203, 206, 209, 301, 303, 514, 515 e 516), Penha (207), Bancários (302 e 518), Castelo Branco (304 e 517), Torre (402), Tambaú (510, 511 e 513) e a circular 1510;
0718 da Transnacional, Marcopolo Torino GV com chassi Mercedes-Benz OF-1620

► Marcos da Silva – Operava em Jaguaribe (003), São José (512), João Agripino (509), Penha (508), Altiplano (401) e Cabo Branco (507).
Em 1991, mais uma empresa entra em operação, porém, não é uma grande novidade entre os pessoenses, uma vez que desde 1977 já atuava na Paraíba no transporte rodoviário interestadual, ligando a capital paraibana à pernambucana. Após mais uma divisão na Etur, a Boa Vista passa a operar linhas urbanas, operando as 106 – Geisel, 107 – José Américo, 113 – Gramame, 120 – Valentina, além da 001 – Ilha do Bispo. Não sei se nesse momento ou algum pouco tempo depois, ela opera o Valentina via Epitácio Pessoa, com a linha 519. O Valentina estava crescendo, então necessitava do aumento da oferta de transporte, e além do mais, a garagem da empresa situava-se neste bairro.
Boa Vista, em Cruz das Armas
Na mesma década, possivelmente, um fatal acidente decide o rumo do transporte pessoense, após o falecimento do proprietário da Etur e da Marcos da Silva, ocasionado por um acidente automobilístico na BR-101 quando ambos retornavam de Pernambuco. Talvez pela falta de habilidade dos herdeiros da Etur em administrar a empresa, somado as diversas inflações decorrente da crise econômica no país no início dos anos 90 tenha levado a empresa a falência em 1994. E após 24 anos operando oficialmente no sistema pessoense, sendo a pioneira com status de empresa, a história da Etur chega ao fim. Coincidência ou não, o tempo oficial dela foi o intervalo entre duas conquistas do Brasil em Copa do Mundo.
Com o fim da Etur, mais duas empresas nascem em 1994: A Boa Viagem, que herdou as linhas 103, 105, 112 e 5110, a estrutura da Etur e os ônibus; e a Reunidas, do grupo A Cândido, que começou sua história com as linhas 101, 102, 109 e 114, e utiliza até hoje a garagem da Transnacional. E curioso que a Transnacional pela primeira vez passa a operar uma linha radial de Cruz das Armas, a linha 115 – Distrito. Entretanto, após cerca de 2~3 anos, ela repassa a linha para a Transurb.
06032 da Boa Viagem, Caio Vitória Mercedes-Benz OH-1315 herdado da Etur, na linha 103 – Toália
Daí, entre 1994 e 1996, o sistema pessoense passa a ter 8 empresas (Transurb, Boa Vista, Mandacaruense, Setusa, Boa Viagem, Transnacional, Reunidas e Marcos da Silva), quantidade que ñ tinha desde os anos 90.
1 Caio Vitória da Mandacaruense 0432, 2 Marcopolo Torino GV da Transnacional. Destaque pra o do meio, na linha 305 – Mangabeira / Pedro II
Em 1995, após anos de descaso dos políticos com a estatal, a Setusa entra em
estado terminal com o sucateamento. Após o “vende-não-vende”, notificações da STP, tem-se um plano para dar um “balão de oxigênio” à empresa. Ela repassa a concessão das linhas circulares 2300 e 3200 para a Boa Vista e Transnacional, respectivamente, e a linha 1001 para a Transurb e Mandacaruense. Na negociação, a Transurb cede alguns ônibus para a estatal.
No ano de 1996, a história da Estatal, que durou menos de uma década de atividade, termina. As linhas 002, 305, 601, 1500 e 5100 passam a ser operadas pela Transnacional após essa conquistá-la na licitação, conforme previsto pelo regimento do Decreto 2.819 de 1995. A linha 601 passa a ser operada pela Reunidas em maio de 2018.
O Fim da Estatal
Após essa conquista da Transnacional, ela amplia ainda mais sua hegemonia no sistema pessoense.
07134 da Transnacional, Marcopolo Torino 1989 (vulgo LN), com destaque pra o slogan na traseira “Ampliando e Renovando”
E por fim, em 1998, o Grupo A Cândido dá sua última cartada da década ao adquirir a Transurb, passando a se chamar São Jorge após a aquisição, e utiliza a mesma identidade da empresa-irmã campinense Nacional, mudando apenas as cores.
0267 da Transurb, Ciferal GLS Bus com chassi Scania F-113HL. Esse a São Jorge não chegou a herdar…
Com isso, os anos 90 passa a contar com as seguintes empresas: São Jorge, Boa Vista, Mandacaruense, Boa Viagem, Transnacional, Reunidas e Marcos da Silva.
Marcopolo Torino GV Mercedes-Benz OF-1620 da Marcos da Silva
A diversidade da frota
Nunca a frota pessoense foi tão diversificada quanto nessa década…quem diria que uma empresa contaria com chassis como VW 16-180 CO, Volvo B-58, Scania F-112 e F-113 e MBB OF-1315, 1318 e 1620 simultaneamente, como foi o caso da Transnacional? E esta mesma empresa, contando com carros da Marcopolo, Caio, Busscar, Thamco e Ciferal. A Boa Vista em questão de novidades foi longe, trazendo até Engerauto Ford.
Transportes Boa Viagem: Caio Vitória 06001 à esquerda; Ciferal GLS Bus 06002 à direita. Ambos com chassi Scania F-113HL
 
Marcopolo Torino 1989 da Transnacional, com chassi Volvo B-58
Possivelmente os bons momentos efêmeros da economia quando lançavam alguma medida de recuperação da mesma após as graves crises gerasse um cenário positivo para as empresas experimentarem o que o mercado oferecia. O certo é que após o lançamento do Plano Real a padronização da frota foi um fato que vigora até hoje. Talvez as empresas após fazerem suas experiências decidiram qual o melhor chassi e carroceria que atendem as suas respectivas necessidades. Curioso que no caso da Transnacional, por exemplo, boa parte dos ônibus com chassi Mercedes-Benz foram os que mais duraram na frota.
Da esquerda pra direita: Marcopolo Torino GV da Transurb, Torino 1989 e Caio Vitória da Marcos da Silva, Torino GV da Transnacional
Trazer ônibus de outros estados foi marcante na Boa Vista, que em alguns momentos chegou a ter quase que 100% da frota contando com ônibus de fora. Outra que investiu bastante nos usados foi a Mandacaruense. E alguns desses usados tinham 3 portas, tendo a Boa Vista trazendo praticamente todos com essa configuração. E falando em ônibus de 3 portas, no início dos anos 90 teve um fato curioso…uma lei municipal de 1992, se não me que obrigava uma porcentagem mínima de ônibus com facilidade de acesso para cadeirantes. Como não existia elevador na época, a Transnacional trouxe ônibus com 3 portas. Essa lei municipal acabou sendo “caducada” após a lei federal que obriga os ônibus do sistema de transporte público fabricados a partir de novembro de 2008 a terem elevadores para cadeirantes.
A expansão pessoense influenciando na estrutura das linhas – Criação das integracionais e do primeiro TIP / Circularização de linhas e código P de praia / Retorno dos opcionais / Oficialização dos bacurais
Se nas décadas anteriores a falta de ônibus para o centro pessoense era um grave problema, nessa década a criação de linhas e o investimento em outras foi ocasionado pela nova dinâmica da cidade, em que alguns bairros ganharam ares de “centro”. Se antes tudo se resolvia no centro da capital, ou comércio, a partir dos anos 90 a centralização dessa área urbana perdeu um pouco da força, principalmente no fator econômico, e as coisas se fixaram em certos bairros valorizados pela especulação imobiliária. O bairro de Manaíra que o diga…
As fusões de linhas radiais para criar uma chamada “semicircular”, que no sentido centro seguia por um corredor e no sentido inverso por outro, foi bem aceita, espelhada pelo sucesso e do ótimo funcionamento das circulares. A primeira fusão ocorreu em meados de 1994~1995, com as linhas do Bancários 302 e 518, criando as 3510 e 5310, denominadas inicialmente de Circular Bancários.
Posteriormente, as linhas 516 e 206 de Mangabeira fundiram e foram criadas as linhas 5206 e 2514. No fim da década, foi a vez das linhas 515 e 210, também, de Mangabeira se unirem para criar as 2515 e 5210, sendo esta última operada pela Reunidas. As demais eram operadas pela Transnacional. A linha 307 de Mangabeira que era operada pela Reunidas foi transformada em 3507 e 5307, chamado inicialmente de Mangabeira e depois modificada para Cidade Verde.
Para facilitar o acesso dos usuários de Mangabeira para Manaíra, principalmente para o Shopping Manaíra, que foi uma grande novidade na época, foi criada a linha 5600, operada pela Reunidas. Posteriormente, foram criadas as 5603 e 5605.
A 5600 atende à Josefa Taveira, a 5603 atende à Hilton Souto Maior até a Secretaria de Segurança, com itinerário estendido até o Val Paraíso e a 5605 tem seu terminal em Mangabeira por dentro e atende ao José Américo, UFPB e Unipê em vez dos Bancários, como fazem as duas outras.
Em alguns bairros em expansão, como o Valentina, inicialmente foram criadas linhas  radiais para atender essas áreas, a exemplo das linhas 118, 119 e 121, porém, devido a alguns fatores elas foram desativadas, e a melhor solução encontrada foi a criação das linhas integracionais, com o código I0xx. Daí, surgiu no bairro do Valentina, o primeiro terminal de integração de passageiros, administrada pela Boa Vista. A integração era feita entre essas linhas integracionais com as principais do bairro, a exemplo da 120, 519 e 2300, em que pagando apenas uma passagem era possível andar em dois ônibus.
Terminal de Integração do Valentina. Inaugurado pela Boa Vista, atualmente operado pela São Jorge. Com destaque pra o Caio Vitória, da Boa Vista de prefixo 03391, conhecido na época como “carro-de-boi”, por possuir apenas 1 fileira de cadeiras de cada lado para poder carregar mais gente em pé
Para facilitar o deslocamento dos usuários de bairros distantes à praia, tanto para curtir o calor nos domingos e feriados, como para shows ou outros eventos, foi criada as linhas com código “P”. Uma delas que fez sucesso e motivou a criação da linha 5600 foi a P004, operada pela Marcos da Silva, partindo de Mangabeira para o Cabo Branco. Posteriormente, foram criadas as P003 – Bairro das Indústrias e a P004 foi reativada no Alto do Mateus, ambas operadas pela São Jorge. A Mandacaruense também operava uma “P” até o Bessa, a P005. Após a criação do Terminal de Integração do Varadouro (que será , essas P’s foram extintas, restando apenas duas…a P002 – Cabo Branco e a P008 – Mangabeira/Praia.
Alguns problemas na década de 90 e as soluções
Até a criação do Plano Real as greves foram constantes, mediante consequência da inflação, com depredação a ônibus, mas não tão grave quanto nos anos 80. Após esse período, só teve uma greve até hoje, em 1996, que durou menos de um dia, e uma paralisação de 1 hora na Lagoa. Alguns problemas de superlotação em linhas no bairro do Valentina e as circulares 1500/5100 foram marcantes, mas nada tão grave e absurda como nos anos 70 e 80. Houve uma melhora nesse aspecto.
O trânsito voltou a ficar caótico devido a enorme quantidade de veículos nas ruas. A solução foi reativar os opcionais no fim de 1997, para estimular as pessoas a deixarem os carros em casa e usar o sistema de transporte com uma certa comodidade, que desde o inicio da década de 80 tinha sido desativada.
Primeiros opcionais da década de 90, em destaque o 02201 da Transurb, Marcopolo Torino GV com chassi Mercedes-Benz OF-1620. Ônibus climatizado.
“Frota essencial”, época de greve nos coletivos
Manifestação na Lagoa, ano 1994
Em 1994, o então vereador Ricardo Coutinho, atual governador do estado, propôs uma lei municipal para oficializar os bacurais que já existem desde os anos 80, com o intervalo no máximo de até 90 minutos, entre as 23 hrs e 5 da manhã, facilitando o retorno para casa de quem trabalha até o fim da noite em bares e restaurantes, por exemplo.
Bacurau da linha 120 – Valentina de Figueiredo, quando era da Etur
Os anos 90 praticamente remodelou o sistema de transporte e sua tendência que vigora até hoje.

sábado, 12 de outubro de 2019

A história dos ônibus de João Pessoa - Década de 70 e 80

Com a série de postagens históricas, essa será um tanto quando longa, mas pra quem se interessa pelo transporte da capital paraibana, não poderá deixar de acompanhar. Trazemos uma síntese e o resultado de pesquisas realizadas e do debate gerado entre reuniões online e em nosso grupo Paraíba Bus Team ® (que tem como um dos objetivos primários da sua existência o resgate e a valorização da história do transporte público paraibano), mediante montagem do quebra-cabeça dos fatos que marcaram o transporte pessoense. E mais ainda, quem sabe, formando uma referência histórica.

Antes dos anos 70…
A cidade de João Pessoa foi servida por meio de vários meios de transportes no século passado, entre eles os clássicos bondes elétricos, interligando partes do centro pessoense e bairros vizinhos.
Pleonasmo está na cara, né?

De 1928, tem-se o seguinte, conforme pesquisa do JC Barboza:
► Notícia da Paraíba (capital) dizia o seguinte: A nova Empresa de Auto-Viação Paraibana inaugurará brevemente o serviço de transporte de passageiros entre Paraíba e Recife. O trajeto será feito em 4 horas e cada passagem custará 4 mil contos de Réis.
► Nessa época, o auto-ônibus, principalmente na Paraíba, Sergipe e Pernambuco, era conhecido como “sopa”. A escritora nordestina Inês Maria assim explica a origem do termo: “Os ônibus cujo preço das passagens eram tão inferiores aos trens da Great Western, que o povo da capital exclamava: Que sopa! O apelido pegou e alastrou-se pelo sertão.
► No estado da Paraíba é inaugurado, no dia 22 de Agosto de 1928, uma linha de auto-ônibus, ligando a capital do estado à cidade vizinha de Santa Rita.
► O Conselho Municipal da Paraíba concede os privilégios por dez anos à empresa O. Pessoa & Barros para os serviços de transporte urbano e cargas em auto-ônibus e caminhões.
Fonte:
Ônibus: uma história do transporte coletivo e do desenvolvimento urbano no Brasil. Autor: Waldemar Corrêa Stiel São Paulo: Comdesenho Estúdio e Editora, 2001
Auto Viação Dutra de João Pessoa
Ônibus com carroceria Carbrasa (Carrocerias Brasileiras SA) e chassis MBB LP-312 fazendo a linha João Pessoa X Rio de Janeiro
A Dutra foi uma das pioneiras na ligação Paraíba~Sudeste. Além dessa, ela também operava a João Pessoa X São Paulo. Segundo famílias conhecidas nossa que viajaram nessas empresas, devido às péssimas condições das estradas brasileiras, as viagens entre PB e RJ duravam em média entre 15 dias à 1 mês. Existem relatos que em uma dessas viagens, um dos ônibus da empresa tombou uma ribanceira, e como não houve vítimas fatais, o veículo foi desamassado e continuou viagem até o RJ bastante avariado.
A Dutra operando linhas em João Pessoa


Nos anos 50 e 60, a Viação Dutra fazia linhas de vários pontos da cidade para o centro, ou como diziam na época, para o comércio. Confiram abaixo algumas imagens do acervo da Família Stuckert.

1962 – Antigo ônibus que na época fazia a linha Bairro dos Novais. Ciferal Cisne com chassi M-Benz LP-321

1963 – Moderno ônibus modelo Metropolitana Ipanema II, que fazia a linha Tambaú, atual 510

Anos 70 – O Divisor de Águas
0418 da Mandacaruense, em destaque
Os anos 70 foram marcantes para o transporte pessoense, pois, parte da estrutura do transporte que temos hoje, foi desenvolvida nessa década citada. Infelizmente, o sistema atual herdou os “pecados”, carregando consigo até hoje as mazelas da época, tais como: Ônibus com superlotação, reclamações das empresas, atrasos, etc.
A Legislação vigente na época
Entre os anos 60 e início dos anos 70, existiam cerca de 120 ônibus circulando por João Pessoa, boa parte deles microônibus e bicudinhas Mercedes-Benz LP-312, que eram exploradas por cerca de 90 empresários, já que existiam vários motoristas de ônibus particulares, e cada um operavam suas linhas entre distritos e povoados existentes ao comércio.
De acordo com o artigo 44 da Lei Federal Nº 5.108 de 18 de Setembro de 1966, é de competência do município conceder, autorizar e permitir serviços de transportes coletivos nas linhas locais. A Etur foi a primeira empresa a ter sua concessão registrada em 1970, cujo contrato foi autorizado pelo então prefeito Damásio Franca, e assinado por seu substituto, o vereador Cabral Batista.
Na gestão de Dorgival Terceiro Neto, entrou em vigor o Decreto Nº 338, de 16 de Julho de 1971, que rezava o disciplinamento da obrigatoriedade dos proprietários isolados se agregarem e formarem empresas registradas na Junta Comercial do Estado.
Em 1973, foi elaborado o primeiro instrumento legal de regulamentação do serviço, através do Decreto Nº 832, de 28 de Setembro do mesmo ano, facultando os direitos e deveres às empresas. O impulso dado aos serviços teve continuação na gestão de Hermano Almeida, exigindo a extinção do sistema de empresas agregadas, obrigando-as a renovarem os contratos e provarem que os patrimônios fossem constituídos por ônibus antes pertencentes aos agregados. Na mesma gestão, as vias que ligavam os bairros ao centro foram asfaltados, diminuindo assim os custos das empresas com manutenção e possibilitando mais investimento em renovação da frota. Para ter concessão de uma linha coletiva, o Setrans exigia que a empresa tivesse um capital de giro na importância de 600 salários mínimos regionais, necessários à manutenção da frota e substituição dos veículos defeituosos. A idade máxima exigida dos ônibus circular era de 13 anos para o chassi e 6 anos para a carroceria, em no mínimo 75% da frota da empresa. Após a metade dos anos 70, houve uma melhora na frota local com a aquisição de modelos das encarroçadoras Metropolitana, Marcopolo e Caio Norte. Antes, boa parte dos ônibus que circulavam em João Pessoa vinham usados de cidades do centro-sul.
Características do transporte
Diferente de hoje, com o Terminal de Integração, antigamente algumas linhas tinham os seus terminais no centro. Durante uma parte dos anos 70, eles ficavam no Mercado Central.

Outros ficavam estacionados nas proximidades do Mercado, a exemplo da Etur.
Na mesma década, após muita reclamação do terminal no Mercado, ele foi transferido para a Rua Almeida Barreto.

E após, foi transferido pra a frente da Estação Ferroviária.

Entre outras curiosidades, estava o preço das passagens: sair do bairro pra o centro custava mais caro do que fazer o caminho inverso. E a outra, é que as empresas eram identificadas pelo prefixo. Algumas tinham na carroceria apenas o 04 (Mandacaruense) e 09 (Marcos da Silva), e o número de ordem ficava na lateral da vista frontal ou na traseira acima do vidro, conforme abaixo:
Esse era o 0402 da Mandacaruense

Os estudantes já tinham o direito a 50% do valor das passagens igual aos dias atuais. Nos anos 70 também existiam os ônibus opcionais e executivos. Também existiu um plano pra implantação do Trólebus (ônibus elétrico) em João Pessoa, nas avenidas Epitácio Pessoa e Cruz das Armas, mas sem sucesso.
Empresas atuantes – trajetória na década de 70
Até 1976, tem-se o registro das empresas:
► Etur – operava no Rangel e zona sul da cidade, sendo a sua principal linha a atual 115 – Distrito Industrial. Operava também as linhas 109 – Rua do Rio, 105 – Cidade, Bairro dos Novais e Jardim Veneza (linhas extintas). No fim dos anos 70, com  expansão pessoense,
passou a operar a atual 108 – Alto do Mateus, 102 – Esplanada, 502* – Geisel, e José Américo / Via Epitácio Pessoa.
(*: linha dividida com as empresas que viriam a existir, a Canaã e RB Transportes.)

► Mandacaruense – na mesma área atual, tendo por destaque a atual 504 – Mandacarú e a atual 002 – Róger.
► Empresa ABC – Jaguaribe, na linha Circular ABC e possivelmente a linha João Machado. Foi o primeiro nome da Marcos da Silva.
► Viação 1º de Maio – Tambaú, Cabo Branco* e João Agripino.
(*: A denominação Cabo Branco existia, porém esse nome era dado apenas à falésia. O restante era conhecido como Tambaú)

Ônibus da 1º de Maio após acidente. O terminal da linha em Tambaú ficava no caixa eletrônico do Banco do Brasil, na quadra de tênis ao lado do Hotel Tambaú, serviço de táxi, autoatendimento da Caixa Econômica Federal, Tambaú Conveniência e complexo alimentar Varandas de Tambaú, próximo à Expo Feira Tambaú, à Mundial Lanches e à igreja de Santo Antônio de Lisboa
► Róger – Cidade Universitária e Castelo Branco / Via Epitácio*.
(*: Não existia a Avenida Pedro II, o corredor 3, na época, que só foi criado nos anos 80)

Róger nas proximidades da UFPB, em frente ao giradouro próximo ao atual hipermercado Carrefour
► Torrelândia – Operava a atual 402 – Torre.
► Viação Ilha do Bispo – Operando no bairro de mesmo nome, possivelmente na extinta linha 001.
► Senhor do Bonfim – Surgiu a partir da compra da Viação 1º de Maio, e opera a linha Tambaú / Cabo Branco, e João Agripino / Via Ruy Carneiro (atual 507 e 510). Houve uma entrega oficial da frota dela, sendo a pioneira em ônibus Mercedes-Benz Monobloco urbano na cidade.

Em janeiro de 1978, A Rodoviária Santa Rita entra no sistema pessoense, operando a linha de Tambaú com seus Marcopolo Veneza II que mais tarde seriam repassados à Viação São Judas Tadeu (década de 80) no lugar da Senhor do Bonfim.

Após alguns meses, a Santa Rita passa a operar a linha da Torre (atual 402) no lugar da Torrelândia após essa ter encerrado suas atividades por motivos desconhecidos.

Também em 1978, a Canaã passa a existir, operando após o surgimento de novos bairros de João Pessoa e expansão dos existentes. Sua área de atuação compreendeu o José Américo, Cristo (atual linha 204) e Geisel (atual 202), operando as linhas via corredor 2 (Rangel). Por um período chegou a atuar na linha Geisel / Epitácio, junto com a RB e a Etur, além de revezar essa linha via Pedro II, ou seja, existiu uma linha Geisel / Pedro II operada pelas três empresas citadas (Canaã, RB, Etur). No mesmo ano, possivelmente, a Marcos da Silva passou a operar a linha Cabo Branco, atual 507. Também a RB Transportes em 1978, possivelmente passou a operar no lugar da Róger as linhas do Castelo Branco e Cidade Universitária. Posteriormente com o surgimento do bairro dos Bancários, ela também passou a operar nesse bairro. Em 1979, tem-se o registro da São Judas Tadeu, que sucedeu a Santa Rita nas linhas Tambaú e Torre no mesmo ano.

1979 – 0923 da Marcos da Silva, modelo Caio Gabriela, operando a linha Cabo Branco / Epitácio

1979 – RB Transportes

1979 – 0639 da São Judas Tadeu, 0921 da Marcos da Silva e 04xx da Mandacaruense

Alguns problemas
As reclamações e insatisfações dos usuários eram constantes na época. Coisas absurdas e bizarras aconteceram, que é impensável nos dias atuais, a exemplo de motoristas dirigindo bêbados, todos os motoristas e cobradores pararem os ônibus ao mesmo tempo pra tomar café-da-manhã, almoçar e jantar. Mas nenhuma delas superou o problema de superlotação e na ineficiência do transporte, coisa que existe até hoje.


A Etur exercia uma forte influência nos órgãos que regiam o transporte na época, mandando e desmandando. Um dos absurdos foi atropelar uma legislação na época, que garantiam aos estudantes comprarem até 200 tickets por mês, mas a empresa fez com que em João Pessoa o limite fosse de 60 tickets. E durante um período dos anos 70, a meia-passagem foi suspensa, ocasionando em grande revolta na época. Alguns ônibus não tinham a mínima condição de rodar e em certo momento foram apreendidos pelo secretário de Serviços Urbanos de João Pessoa dezenove ônibus. Alguns, nem fileira de bancadas tinha, propositalmente retiradas pra poder carregar mais passageiros.

Ônibus da Etur, Canaã e Mandacaruense

E para agravar mais ainda a situação, a inflação. O dinheiro se desvalorizava, as empresas aumentavam as passagens, o salário do trabalhador cada vez mais apertava. E entre esses trabalhadores, estavam os motoristas e cobradores. Não deu outra, a greve estourou em 1979.

Movimento grevista em frente a um Marcopolo Veneza II da São Judas Tadeu e Caio Gabriela da Marcos da Silva

E para encerrar 1979, veio a crise do combustível no país. Algumas empresas tiveram que racionar o combustível e deixaram parte da frota nas garagens, causando graves transtornos a população. A partir desse problema, surgiu um projeto pra implantação dos trólebus em João Pessoa, projeto esse que nunca se concretizou.

Garagem da Canaã (no bairro do Cristo), com destaque pra o Caio Gabriela à direita na linha Geisel
Ônibus da Etur estocados na garagem por falta de combustível
Anos 80
Início da década de 80 – A crise e o eminente colapso
O início dos anos 80 deu continuidade ao que estava acontecendo no fim dos anos 70: greve, crise do combustível, inflação… até que estourou uma crise financeira nas empresas, uma vez que o faturamento corroído pela inflação estava sendo insuficiente para honrar com os gastos, e o plano de ajuda da EBTU (Empresa Brasileira de Transportes Urbanos) não veio, deixando o sistema a beira de um colapso. 10 novos ônibus Mercedes-Benz Monobloco da Etur que foram encomendados, tiveram seus pedidos cancelados. Algumas empresas como a RB Transportes estava com dificuldades de quitar as dívidas após comprar 7 novos ônibus. O financiamento na época pra renovação da frota era algo difícil de se conseguir.
Em uma das greves de motoristas e cobradores, a violência foi marcante pelo fato de um dos motoristas grevistas ter sido atingido por um tiro à queima-roupa efetuado pela sempre covarde polícia militar. Em vão, em uma das greves, alguns empresários foram até o local da greve para fazer com que os grevistas retornassem ao trabalho, como a foto ao lado mostra o empresário João Inocêncio Neto, proprietário da Mandacaruense.
Empresas atuantes na década – O nascimento de uma
gigante que é grande até hoje
A década de 80 começou com 7 empresas atuando no sistema, com cerca de 200 ônibus e cerca de 26 linhas existentes, estavam:
► Etur: Tinha uma frota de quase 100 ônibus e atuava na zona sul da cidade, Cruz das Armas, Costa e Silva (atual 102), Cidade dos Funcionários (atual 105), Jardim Veneza (atual 104), Alto do Mateus (atual 108), Bairro dos Novaes, Rua do Rio (atual 109), José Américo e Geisel (atual 502), Grotão e Funcionários II, III e IV (após expansão da cidade, operando as atuais 101 e 114).
Caio Gabriela da Etur em destaque
► Mandacaruense: Atuava na mesma área atual e no Róger (atual 002).
Marcopolo San Remo I da Mandacaruense
► RB Transportes (Rui Barro Transportes): Atuava nos Bancários, Castelo Branco e Cidade Universitária.
Marcopolo San Remo I da RB
► Canaã: Atuava no José Américo, Geisel (atual 202), Ceasa (atual 201) e Cristo (atual 204), todas pelo corredor 2 (Rangel).
2 Caio Gabriela da Canaã
► Viação São Judas Tadeu: Atuava na linha da Torre (atual 402) substituindo a Rodoviária Santa Rita como vimos que operou na 402 na década de 70, e nas linhas de Tambaú (510 e 511).
► Marcos da Silva: Operava no Cabo Branco (507), Altiplano (401), Jaguaribe (003), João Agripino (509) e na Penha / Via Pedro II.
Caio Bela Vista da Marcos da Silva em destaque
► Viação Ilha do Bispo: Antiga linha 001, do bairro de mesmo
nome.
Nos anos 80, após a RB Transportes encerrar suas atividades possivelmente devido as dificuldades financeiras, surge a Nossa Senhora das Neves, atuando na mesma área que a RB e herdando o mesmo prefixo (07xx, hoje com a Transnacional que sucedeu as RB e NSN). Também, após o nascimento do bairro de Mangabeira, passou a atuar na área.
A São Judas Tadeu adquire a Canaã e herda suas linhas e veículos, se expandindo mais pela cidade. Já a Etur, aproveitando que atuava dentro de uma área de expansão em João Pessoa, entra no bairro do Valentina, após o seu surgimento. Porém, na mesma década, começa a dar sinais de que sua superioridade na cidade está chegando ao fim, após uma separação que gerou a Transurb. Curiosamente, ela herdou as linhas “do lado de lá” da BR-101, com as linhas 104 – Bairro das Indústrias (incorporando a do Jardim Veneza), 110 – Jardim Planalto, 108 – Alto do Mateus (incorporando a linha do Bairro dos Novais), e fugindo a regra, a 502 – Geisel / Epitácio. Em 1987, a Transnacional de Campina Grande adquire a Nossa Senhora das Neves e abre sua filial em João Pessoa, sendo atualmente a maior empresa de transporte urbano da Paraíba. Adquirindo a NSN, a Transnacional herdou o prefixo 07xx vindo dos tempos da RB, e também herdou muitos dos ônibus pertencentes a frota antiga da Nossa Senhora das Neves. Um dos mais famosos herdados, foi o Marcopolo San Remo II (modelo que originou os Torino) com chassi Mercedes-Benz OH-1517 (possivelmente esse modelo de chassi, mas certeza de ser OH). A TN permaneceu com a pintura da Nossa Senhora das Neves por um tempo, inserindo apenas o nome:
Marcopolo San Remo II, conhecidos na época como “minhocão”, devido seu longo comprimento. Pintura da Nossa Senhora das Neves, com nome da Transnacional, pouco tempo depois da aquisição
E a expansão da Transnacional não para por aí… no fim de 1988 ela adquire a São Judas Tadeu, ampliando sua área de atuação na capital e sendo uma gigante igual a Etur. Curioso que a TN ficou com 3 padrões de pinturas diferentes na época:
Identidade visual original da Transnacional, pintura e nome

Pintura da São Judas Tadeu, nome da Transnacional. Pouco tempo de aquisição

Pintura da Nossa Senhora das Neves, nome da Transnacional. Detalhe pra o monobloco do meio, já pintado no padrão da TN
E após a Revolução de Agosto de 1988, surge a Setusa, a primeira e única empresa de ônibus estatal pessoense.
Sistema Estadual de Transporte Urbano S/A – SETUSA
A Revolução de Agosto de 1988 e a Criação da Setusa
Marcopolo Torino 1983 Mercedes-Benz OF-1115, São Judas Tadeu, sendo apedrejado por manifestante. Agosto de 1988
A Revolução de Agosto de 1988 foi um movimento começado pelos estudantes secundaristas e universitários, em que a Paraíba e o Brasil os viu irem pra as ruas, enfrentar a polícia pau-a-pau, levar mais de 30 mil pessoas pra protestar, ssendo o maior movimento popular que a história da Paraíba teve: foram mais de 30 ônibus quebrados, vários incendiados, numa expressão viva de fúria que envolveu o povo nos 4 dias de protestos. O resultado foi a vitória. O Governo do Estado recuou, interviu na Prefeitura, desmoralizou o prefeito, congelou o preço das passagens e criou a Setusa.
Para verem a matéria sobre essa manifestação, cliquem no link abaixo:
Ônibus recolhidos na garagem da Etur, por prevenção de mais quebra-quebra

Garagem da Transnacional no dia da manifestação

Governador Tarcísio Burity, assinando o projeto de lei de encaminhamento pra criação da Setusa. 23 de Agosto de 1988

Solenidade de inauguração da Setusa
A Setusa nos anos 80 não foi um marco apenas de uma estatal nos transportes por ônibus, passe livre pra estudantes fardados, mas também pela criação das linhas circulares, facilitando o deslocamento interbairros. ASetusa operou as linhas:
► 002 – Róger
► 305 – Mangabeira
► 601 – Bessa (com a inauguração do Manaíra Shopping em 1989, passa a assumir o nome do estabelecimento)
► 1001 – Bairro das Indústrias / Mandacaru (com a inauguração do Manaíra Shopping em 1989, inclui o nome do empreendimento)
► 1500 / 2300 / 3200 / 5100 – Circular
Principais problemas dos anos 80
Os problemas nos anos 80 foram os mesmos dos anos 70… ônibus com superlotação, motoristas e cobradores ignorantes com passageiros, atrasos constantes, aumentos absurdos das passagens, ônibus quebrado e greves. Olhando esses problemas, percebemos que até nos anos atuais, a população usuária dos ônibus continuam com esses problemas, com exceção das greves, que pelo visto, não há meios pra isso. A falta de planejamento estrutural mediante o crescimento da cidade somado a inflação, foram os fatores relevantes para a permanência desses problemas. Quando a inflação estava baixa, ou quando o governo conseguia fazer algum plano econômico mirabolante pra o dinheiro do trabalhador render, a população nos fins-de-semana ou nas férias procurava o lazer mais democrático: a praia. E os ônibus pra a orla marítima eram insuficientes para atender a demanda.
Passageiros embarcando no 0915 da Marcos da Silva na 507 – Cabo Branco na década de 80: missão complicada
Um fator positivo que surgiu nessa década foi a criação dos códigos das linhas existentes, sendo o primeiro dígito identificando o corredor pelo qual a linha trafega. Exemplo: 109 – Rua do Rio (transita no corredor 1 – Cruz das Armas); 507 – Cabo Branco (transita no corredor 5 – Epitácio Pessoa). Para as linhas circulares, que possuem 4 dígitos, o segundo dígito corresponde ao segundo corredor que a linha trafega. O outro fator positivo, é que a Lagoa passou a ser ponto de parada.
No fim dos anos 80…
Atuavam as empresas: Transnacional, Etur, Setusa, Marcos da Silva, Mandacaruense e Transurb.


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